Por que ninguém tem mais paciência para participar de um e-Learning cheio de textão?

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Nos dias atuais, o e-Learning é uma modalidade de ensino muito difundida no Brasil e no mundo. Muitas ofertas com essa metodologia são oferecidas na internet e, mesmo que os usuários não saibam o que seria este termo realmente signifique, com certeza o uso do termo “curso online” já explica rapidamente a um grande número de pessoas o assunto. O e-Learning, de uma forma ou de outra, já faz parte do imaginário coletivo e, com certeza, da rotina da maior parte das pessoas que possuem acesso à internet. Quem que tenha acesso a internet nunca pelo menos ouviu falar sobre cursos online?

Apesar de ser uma modalidade de treinamento bastante difundida, e a tecnologia atual permitir recursos quase que ilimitados, ainda é bastante comum encontrar práticas primitivas em metodologias de EAD, que incluem conteúdo muito pouco elaborado e com quantidades desproporcionais de texto. A seguir falaremos um pouco mais sobre isso:

Panorama Geral

Antes de falarmos dos modelos de e-Learning atuais e das principais causas de termos uma grande oferta de cursos e-Learning cheios de textão, é importante entendermos primeiramente o contexto geral deste cenário, que remonta ao início da Educação a Distância.

A educação a distância no Brasil existe desde a década de 40, onde começaram a ser oferecidos os primeiros cursos por correspondência. Durante muito tempo, modelos como o Instituto Universal Brasileiro foram importantes na disseminação desse tipo de trabalho educacional, lembrando essa metodologia era baseada principalmente em texto. Foram necessários pelo menos 20 anos para que esse tipo de abordagem tivesse uma aderência relativamente aceitável.

Neste período, a televisão também se mostrou como uma ferramenta potencial em EAD, com algumas iniciativas muito conhecidas, como por exemplo o Telecurso 2000, acompanhadas de apostilas recheadas de texto. Com a chegada da internet e inciativas de empresas globais (que já estavam praticando o e-Learning nos países de primeiro mundo) o e-Learning chegou no Brasil, inicialmente gerando grandes expectativas e se tornando a grande promessa da educação, pois fazia o uso de uma diferente tecnologia do futuro, a internet.

Falta de mão de obra especializada

É de se imaginar que algo tão novo possuía uma grande carência de profissionais especializados. Apesar de desde a década de 80 haver grandes universidades ao redor do mundo oferecendo cursos voltados a Educação a Distância e especificamente e-Learning, esse tipo de formação superior só esteve disponível no Brasil a partir de 2002, ou seja, somente a partir deste período que podemos afirmar que o Brasil começava realmente a se preparar de forma profissional para este tipo de modalidade de ensino.

Como o grande boom do e-Learning no Brasil começou na década anterior, os profissionais que desenvolviam cursos e-Learning neste período eram geralmente jornalistas, roteiristas e escritores, que não necessariamente sabiam como era desenvolver um material didático, sendo que o e-Learning exige linguagem e técnicas específicas, que não necessariamente se enquadrariam a um material que geralmente é criado para o meio editorial ou midiático. E quando se contratavam profissionais de EAD (correspondência ou telecursos), pedagogos, letrados e profissionais de T&D, dificilmente eles possuíam conhecimento específico para e-Learning, imprimindo um estilo que se originava principalmente da educação presencial.

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Excesso de texto no e-Learning

No começo, além dos fatores já mencionados, o processo de criação de conteúdo para e-Learning também era grandemente baseado em adaptações dos modelos do ensino presencial, que naturalmente possui uma carga de texto muito grande.

E tudo isso aliado a falta de recursos tecnológicos (principalmente banda para transmissão de dados) fazia com que a maior parte dos e-Learning disponíveis não tivessem sequer áudio e exercícios. O uso de vídeos ficava restrito a TV, pois transmitir vídeos pela internet ou intranet era ainda apenas um sonho.

E no final das contas, o que importava é que ter de ler muito texto na tela era mais cansativo que ler em material impresso. E tudo isso aliado a falta de outros recursos tecnológicos só fez com que se criasse um estigma sobre o e-Learning, tornando-o uma modalidade de bastante resistência por parte dos participantes, principalmente quando falamos em educação corporativa. E mesmo que a tecnologia tenha mudado esse panorama, algumas pessoas ainda relacionam o e-Learning com uma atividade desestimulante.

Novos tempos, novas tecnologias, novos desafios

Apesar da tecnologia permitir cenários quase que ilimitados para o EAD, o grande desafio hoje extrapola a tecnologia, pois deve-se pensar prioritariamente no conteúdo, na forma de apresenta-lo e na estratégia instrucional adequada para aquele determinado tema.

Em um mundo corporativo tão dinâmico, e com o surgimento de novas gerações tão práticas e objetivas, a ideia de que “todos devem saber tudo” ficou definitivamente fora de moda. A pergunta deve ser: “O que é necessário para que essa pessoa desempenhe bem seu trabalho?”. E tudo isso deve estar alinhado a uma estratégia simples de desenvolvimento de conteúdo, focada em resultados.

E neste cenário, o textão em cursos e-Learning está desaparecendo gradativamente, e técnicas instrucionais mais dinâmicas como e-Vídeos e v-Learning vão encontrando seu lugar.

Sempre surgiram novas tecnologias s, assim como novas estratégias instrucionais, mas ainda é a sua estratégia corporativa e a forma de se trabalhar o seu conteúdo que será sempre seus diferenciais, atente-se sempre para isto.