Universidade Corporativa ou Modelo T&D. Qual o melhor?

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Para quem trabalha com treinamento corporativo, se questionar sobre qual é mais efetivo: modelo T&D (Treinamento e Desenvolvimento) ou Universidade Corporativa, é uma indagação quase que inevitável.

Durante muitas décadas, o modelo T&D reinou absoluto como o principal processo de capacitação profissional utilizado pelas empresas. Isso ocorreu justamente porque não se conhecia outras abordagens no Brasil e não haviam referências e casos de sucesso que inspirassem as companhias a adotarem outras metodologias.

Entretanto, a tentativa das empresas multinacionais em globalizar processos e procedimentos, fizeram com que nos anos 2000 outras modalidades em Educação Corporativa fossem importadas e mais exploradas por aqui.
Falaremos então aqui dessas duas abordagens, suas histórias e características, trazendo uma reflexão sobre qual modelo pode ser o mais adequado para você e sua empresa.

O que é o modelo T&D?

O modelo T&D, ou modelo de Treinamento e Desenvolvimento, ainda é abordagem mais utilizada pelas áreas de treinamento das empresas no Brasil. Nela, a atenção do treinamento está voltada exclusivamente para suprir as necessidades das diversas áreas da empresa, focando naquilo que é emergencial ou que os gestores determinaram como necessidades de treinamento no desenvolvimento de seus funcionários.

Nesta modalidade, apesar de os líderes terem geralmente muita autonomia na definição dos temas que serão abordados, vemos cada vez mais casos em que as áreas de treinamento assumem o protagonismo, definindo ou propondo os temas baseados em estudos, alinhando internamente as prioridades e as abordagens que serão utilizadas, tanto para os treinamentos técnicos quanto para os comportamentais.

Neste modelo, há geralmente três principais fontes de como os temas de treinamento são definidos:

– Menu de Treinamento: essa abordagem gira em torno de temas que foram pré-definidos em algum momento para serem treinados de forma recorrente (ou anual).

Geralmente neste menu são oferecidos treinamentos que sempre (ou quase sempre) estiveram no portfólio das empresas como: treinamento de integração de novos funcionários, treinamentos obrigatórios e treinamentos de NR (Normas Regulamentadoras), além de um “menu” de treinamentos comportamentais que tem mais recorrência de solicitações internas.

Este “menu” pode ter sido planejado (antes do início do ano) ou ir sendo definido ao longo do ano, de acordo com a necessidade do momento ou daquela determinada demanda sazonal da área solicitante.

Necessidade apontada pelos Gestores: essa abordagem é a mais comum. Nela, os gestores das mais diversas áreas geralmente chamam a área de treinamento para apontar as suas necessidades. Eles geralmente determinam os temas que serão abordados, como serão tratados e que resultados esperam. As áreas de treinamento ficam responsáveis por facilitar (ou encontrar facilitadores), cuidar da logística e reportar relatórios de evasão e notas.

– Necessidade mapeada pela própria área de treinamento: essa abordagem é a mais rara, pois exige uma área de treinamento com real autonomia e com as ferramentas adequadas que geram a devida credibilidade do departamento.

Neste modelo, a área de treinamento propõe temas baseados nas necessidades apontadas pela estratégia da empresa e, para as demandas vinda dos gestores, utiliza LNT (Levantamento de Necessidade de treinamento) ou DNT (Diagnóstico de Necessidade de Treinamento) para identificar necessidades complementares, filtrar demandas e gerenciar as prioridades.

Vale ressaltar que um modelo de T&D clássico geralmente abrange mais de um dos itens acima. Um profissional desta área geralmente se identifica vários deles, integral ou parcialmente.

O que é uma universidade corporativa?

Uma universidade corporativa é um espaço educacional criado e gerenciado pela empresa com o objetivo de oferecer um plano de aprendizado estruturado.

Ao contrário do modelo de T&D, em que as demandas são pontuais e dinâmicas, a Universidade Corporativa, que segue o modelo de Educação Corporativa, tem o objetivo de preparar os mais diversos profissionais da empresa para as mais diferentes necessidades, geralmente pensando em uma grande gama de treinamentos necessários para que todos estejam devidamente preparados para o desempenho de suas atividades.

Ao se pensar pelo conceito de Educação Corporativa, você diminui as demandas pontuais e fortalece a gestão do conhecimento, antecipando futuras demandas e preparando seus funcionários de uma forma mais completa.

Apesar de levar “Universidade” no nome, ela não tem relação direta com as formas tradicionais de formação acadêmica, tanto que com a mesma estrutura de Universidade Corporativa, muitas vezes são chamadas de “Academias”, “Escolas” ou até mesmo “Trilhas”, mesmo que conceitualmente não sejam necessariamente isso.

 

Modelo-T&D

Universidade Corporativa versus Modelo T&D

Em uma comparação rápida e direta entre as duas metodologias, temos:

• Estilo de aprendizado: O modelo T&D é passivo, enquanto a universidade corporativa é ativa.

Centralização: O modelo T&D é geralmente descentralizado, enquanto a universidade corporativa é quase sempre centralizada.

Alcance: O modelo T&D tem alcance relativo, enquanto a universidade corporativa é quase sempre mais abrangente.

Perfil do aprendizado: O modelo T&D é geralmente mais genérico, enquanto a universidade corporativa geralmente cria currículos personalizados para cada nível desejado.

• Estilo de aulas: O modelo T&D apresenta um estilo mais clássico, enquanto a universidade corporativa apresenta um estilo mais moderno e tecnológico.

• Divisão do conteúdo: O modelo T&D é geralmente 20% estratégico e 80% tácito, enquanto a universidade corporativa é 80% estratégico e 20% tácito.

Enfim, qual é o melhor?

Apesar de acreditarmos que uma formação estratégica e estruturada, que segue o modelo de Educação Corporativa, necessariamente gera maiores resultados a longo prazo, é difícil para nós, de fora, determinar qual o modelo mais se adequa as necessidades de sua empresa.

Como somos uma empresa comprometida em auxiliar nossos parceiros e clientes a atingir os seus melhores resultados, daremos aqui alguns questionamentos importantes para a sua decisão:

• Uma universidade corporativa pensa de forma mais abrangente, atendendo demandas mais completas de desenvolvimento, porém necessita de um investimento a longo prazo. Você teria este tempo?

• O modelo de T&D geralmente se adequa melhor a empresas mais dinâmicas, já que funciona muito bem no dia a dia, de forma rápida e pontual, porém a longo prazo se mostra menos eficiente. Você está disposto a investir nessa transição?

• Uma universidade Corporativa vai trazer resultados a médio/longo prazo, com poucos resultados imediatos. Mas se você investir provavelmente no futuro vai colher excelentes frutos. Você já colocou isso na balança?

• Você vai ter que trabalhar em paralelo com os dois modelos até que os problemas recorrentes, que eram comuns em T&D, vão gradativamente desaparecendo. Você consegue carregar este trabalho extra por um tempo?

• O T&D gera mais desafios a longo prazo, já que é geralmente focado em necessidades e desafios imediatos. Outros assuntos acabam sendo deixados de lado para resolver as questões mais eminentes. Você consegue manter cenário para sempre?

• Áreas de treinamento com menor autonomia funcionam melhor em modelos de T&D. Você consegue uma maior autonomia? Se sim, em quanto tempo?

• Empresas que não desejam fazer investimentos de longo prazo para a implantação de uma universidade corporativa se adequam melhor ao modelo de T&D. Teria a possibilidade da sua empresa mudar de mindset a curto/ médio prazo?

• O fato de que os gestores nem sempre saberem o que estão pedindo pode ter fazer mudar de ideia e pensar na possibilidade de uma Universidade Corporativa com o objetivo de diminuir drasticamente ou eliminar este tipo de demanda?

No final resposta é que não existe certo ou errado, mas existe aquele que se adapte melhor a sua empresa. Porém lembre-se que, independentemente de sua decisão, é crucial ter soluções eficazes que permitam um trabalho de qualidade. Lembre-se, empresas competitivas geram maior resultados, e os profissionais que veem essa questão com seriedade com certeza terão um maior destaque no mercado de trabalho. Você está preparado?