Os 10 passos para o desenvolvimento de trilhas de aprendizagem efetivas

Trilhas-de-aprendizagem

Apesar de atualmente o conceito de trilhas de aprendizagem ser amplamente discutido e utilizado por empresas dos mais diversos segmentos, esta metodologia não é nova e já é utilizada há muito tempo na Educação Corporativa.

Este termo começou a ser difundido concomitantemente ao surgimento das primeiras universidades corporativas no Brasil, em que as empresas deixaram de focar apenas no modelo de T&D e passaram a abranger formações estruturadas no modelo de Educação Corporativa para o desenvolvimento estruturado e contínuo de seus funcionários.

As trilhas de aprendizagem nada mais são do que formas sequenciais, estruturadas e integradas de formação com a finalidade de pensar no desenvolvimento de seus funcionários de uma forma mais abrangente que o modelo de T&D, fornecendo as ferramentas necessárias para o desenvolvimento de todas as competências mapeadas para uma determinada função ou nível de funções.

Neste modelo nenhum treinamento é isolado, todos os treinamentos fazem parte de um todo que busca suprir as necessidades de formação de pessoas em uma empresa.

Apesar das trilhas de aprendizagem serem bastantes discutidas atualmente, ainda existe uma certa dificuldade em compreendê-las de forma adequada e aplicá-las de forma eficiente, por isso listamos 10 itens que podem auxiliar você a compreender melhor as trilhas de aprendizagem e desenvolvê-las de uma forma mais eficiente e com maiores resultados:

Trilhas-de-aprendizagem

1) Contemplar o Assessment

Assessment significa em inglês “avaliação”, e se trata de uma metodologia de análise que tem como objetivo identificar o perfil e os conhecimentos de profissionais para uma determinada finalidade. É uma ferramenta muito utilizada em processos seletivos ou na formação de alta liderança, porém pouco explorada em trilhas de aprendizagem.

Ao se utilizar o Assessment, mesmo que simplificado, em uma trilha de aprendizado, você consegue avaliar o perfil e conhecimento do público a ser treinado antes de definir a partir de qual ponto o profissional iniciará sua trilha.

Uma das maiores vantagens disso é poder ganhar produtividade ao não inserir um funcionário em um tema ao qual ele já domina, além de evitar a desmotivação ao colocá-lo em um treinamento sobre um assunto que ele já tem conhecimento. Outra vantagem é reduzir a quantidade de treinamentos desnecessários, aumentando assim o engajamento e a produtividade da área de treinamento.

Além disso, ao realizar um Assessment antes de iniciar uma trilha de aprendizado você avalia o nível de conhecimento entre os participantes, permitindo agrupá-los em níveis de capacidade e direcionar o conteúdo para um maior aproveitamento da trilha.

2) Crie trilhas de aprendizagem separadas por nível ou perfil

Uma trilha de aprendizagem que contemple áreas ou níveis hierárquicos distintos com demandas diferentes pode ser contraprodutivo. Cada nível de cargos ou áreas pode ter uma necessidade específica e isso pode tornar o treinamento desestimulante ou sem sentido para grupos muito heterogênios.

O ideal é sempre agrupar os níveis da trilha de aprendizado por afinidade ou aderência àquele determinado conteúdo.

Nem sempre é possível segregar todos os grupos por conteúdos específicos, pois isso tornaria as trilhas de aprendizagem muito complexas, porém ao utilizar corretamente o conceito de objetos de aprendizagem, é possível formar trilhas com temas convergentes apenas nos treinamentos que fazem sentido a um determinado grupo de pessoas.

O importante é garantir que cada treinamento das trilhas de aprendizagem possua as variações mínimas necessárias para que faça sentido ao público que está sendo treinado, por isso que o trabalho de planejamento deve ser sempre minucioso e estratégico.

3) Utilize o conceito de objeto de aprendizado

Construir trilhas de aprendizagem no conceito de objeto de aprendizado é necessário para verificar se o tema faz parte de uma unidade de conhecimento.

Um conteúdo de treinamento para trilhas de aprendizagem que segue o conceito de objeto de aprendizagem deve ser autossuficiente e modular, ou seja, pode ser encaixado em outras trilhas para abranger participantes de diferentes perfis, mas que partilham da mesma necessidade de desenvolvimento naquela ocasião.

Ao dar prioridade de partilhar a mesma necessidade de desenvolvimento, a trilha ganha produtividade ao abranger menos turmas e dar a possibilidade que diferentes área e níveis hierárquicos compartilhem experiências e tornem o treinamento mais rico e produtivo.

4) Pense de forma sequencial

Normalmente, quando as pessoas planejam trilhas de aprendizagem, elas não o fazem de forma sequencial. As razões para isso geralmente estão na dificuldade de conseguir a agenda de todos os envolvidos no processo (como facilitador e infraestrutura) dentro da sequência planejada, além da dificuldade de gestão do treinamento de modo a garantir que a sequência seja executada da forma que foi inicialmente planejada.

Vale ressaltar que quando o conteúdo das trilhas de aprendizagem segue uma sequência lógica, os participantes geralmente mostram maior interesse em realizá-las, uma vez que serão capazes de ter uma visão geral do processo de aprendizado e conectar os assuntos que serão abordados durante a trilha, compreendendo melhor a sequência de informações para construir o conhecimento a partir de informações previamente transmitidas em treinamentos anteriores.

5) Construa o conteúdo pensando no design instrucional

O design instrucional aborda a sequência didática de um material de ensino, fazendo com que ele seja construído de forma que seu conteúdo seja absorvido da maneira mais adequada possível.

Ao desenvolver uma trilha de aprendizado, a forma como o material é trabalhado é de grande importância. E isso não engloba apenas a criação dos materiais das oficinas de aprendizado e sim toda a estratégia instrucional do treinamento. Portanto, garantir um design instrucional adequado é fundamental para o sucesso e efetividade das trilhas de aprendizagem.

6) Crie uma grade curricular e distribua aos participantes

O adulto precisa entender os motivos os quais está participando de um processo de treinamento e os objetivos deste processo, além de compreender a estruturação desse conteúdo. Por isso, é importante criar uma grade curricular clara e explicativa e distribuir aos participantes no começo do treinamento.

Dessa forma, eles percebem o sentido de participar de toda a trilha de aprendizado, o que evita questionamentos desnecessários sobre as fases da aquisição de conhecimento que ele passará durante o processo.

7) Esteja preparado para adaptar as trilhas de aprendizagem a qualquer momento

Mesmo que você tenha planejado tudo cuidadosamente e ajustado os treinamentos utilizando turmas piloto, é importante estar sempre aberto a mudanças.

O ambiente de aprendizado é dinâmico e muda de acordo com as necessidades dos profissionais e até mesmo das empresas ou do mercado. Com isso, mesmo que tudo esteja estruturado, ajustes podem ser necessários para garantir que o processo seja realmente efetivo.

8) Permita que haja troca de experiências entre níveis diferentes

Por mais que uma determinada trilha de aprendizado tenha uma meta única de desenvolvimento de competências, é sempre necessário abrir espaço para trocas de experiências em diferentes níveis.

Dessa forma, você abre espaço para novas opiniões, além de fazer com que todos compartilhem experiências e contribuam para uma visão completa do processo, além de proporcionar aos participantes uma compreensão mais abrangente sobre os diferentes pontos de vista daquele determinado tema.

9) Contemple o módulo prático da trilha de aprendizado

Ao desenvolver um conteúdo de treinamento, é importante que o funcionário visualize a aplicação do que está sendo ensinado. Desta forma é fundamental que a trilha permita que as pessoas coloquem em prática o conhecimento adquirido durante as oficinas de aprendizado.

Existem diversas formas de estimular isso durante o processo, seja por meio de cases práticos ou desenho de soluções de problemas relativos ao ambiente corporativo. Ao final, também é importante sugerir planos de ação para que eles entendam como poderão aplicar de forma prática tudo aquilo que foi aprendido .

10) Faça uma avaliação final da trilha

Por fim, não adianta apenas desenhar uma trilha de aprendizado e não avaliar o progresso. A aplicação de um pré e pós teste são fundamentais neste processo de avaliação. A avaliação de reação e avaliação de conhecimentos final são fundamentais para manter a trilha viva por meio de ajustes contínuos. Considerar aplicar avaliação em 3 níveis pode ser fundamental na implantação de uma trilha de aprendizado.

Desenvolver trilhas de aprendizagem de qualidade requer planejamento e comprometimento durante todo o processo, desta forma você garante um desenvolvimento interno efetivo, por isso, ao desenvolver uma trilha é importante contar com quem tem experiência na área.